CRÍTICA – Bright | Novo filme da Netflix tem roteiro fraco, mas vale a pena

Bright é o mais novo filme do diretor David Ayer (do terrível Esquadrão Suicida) protagonizado por Will Smith e Joel Edgerton que interpretam, respectivamente, o falido policial Scott Ward e o Orc desertor e também policial, Nick Jakoby. Ambos parceiros no trabalho, embarcam no que seria apenas mais uma patrulha de rotina, mas, acidentalmente acabam encontrando um artefato poderoso que pode mudar o destino do mundo (muito clichê): uma varinha mágica, objeto de extremo poder que só pode ser manuseado por raras pessoas, os Brights. Se pudesse mudar o nome de “brights” para “bruxos”, já diríamos que era Harry Potter, mas…

Apesar de, aparentemente, ser apenas mais um filme entre tantos com elementos de fantasia e de adrenalina, Bright aborda claramente, desde seu princípio, o preconceito pelas diferenças étnicas e sociais presentes em nosso dia a dia. No entanto isso fica, obviamente em segundo plano, já que o foco da história se dá na luta dos personagens principais para assegurar que a varinha não caia nas mãos de vilões que querem trazer a vida uma grande entidade das trevas para dominar o mundo (uma história muuuuuito clichê).

Mesmo com a abordagem de temas importantes citados acima, o desenrolar da trama não foge dos padrões convencionais de histórias de fantasia, e o desenvolvimento (um pouco confuso, inclusive, pois temos várias histórias do universo da trama contadas de maneira rasa e bem superficial) traz muitos elementos vistos anteriormente em filmes do diretor; Os heróis vão passando de cenário em cenário, lutando contra ameaças em cada um deles, até chegar na “fase final” onde lutam contra a grande – e genérica – vilã (isso fez você lembrar de Esquadrão Suicida? Pois então…) Além disso, a conclusão da trama também se mostra extremamente previsível, com várias pistas explícitas em vários momentos do filme do que aconteceria no final… zZzZzzZZ…

Mas, apesar dos problemas de roteiro (que claramente podem ser vistos ao longo da narrativa), a produção tem seus acertos, e o maior deles é a incrível química entre Smith e Edgerton que, quando juntos trazem ótimos diálogos, cenas divertidas e uma interação que nos faz acreditar na ideia e abraçar de forma completa, os personagens, que diga-se de passagem, são muito bons para um roteiro tão fraco e clichê.

A mistura de variados temas dentro de um único universo, algo que, como citado no começo do post, parecia uma ideia um tanto quanto maluca e brevemente desastrosa, também acaba se tornando um grande acerto da produção, por trazer uma visão bem diferente e atual de histórias de contos de fadas. Sem falar que, as caracterizações dos personagens é outro ponto forte do longa da Netflix.

Entre erros e acertos, no fim das contas, Bright é um filme legal e divertido, que supera os problemas de roteiro com excelentes cenas de ação, um universo interessante que nos faz querer saber mais sobre seu plano de fundo, e com um grande trabalho de Will Smith e Joel Edgerton.

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