CRÍTICA – Blade Runner 2049 | Material indispensável e original nos dias atuais

Na trama, escrita por Hampton Fancher (roteirista do longa original) e Michael Green (de Lanterna Verde [2011]), acompanhamos K, interpretado por Ryan Gosling, um Blade Runner, mistura de caçador de recompensas e policial que tem a incumbência de caçar os replicantes que saírem de seus parâmetros. Em uma operação de rotina, K acaba descobrindo segredos perigosos que o colocam na mira da poderosa corporação chefiada pelo misterioso Wallace, interpretado por Jared Leto, responsável pela fabricação dos novos modelos de replicantes.

Eventualmente, o caso coloca K no rastro de seu predecessor, Rick Deckard (Harrison Ford, outro veterano do longa original), desaparecido há trinta anos, em um encontro que pode mudar o status quo das relações entre a humanidade e seus servos replicantes.

E é justamente neste momento, que os caminhos dos dois filmes se separam. Se o longa de 82 apresentou aquele mundo e contou uma história relativamente mínima envolvendo quatro replicantes fugitivos e o relacionamento entre Deckard e a fria Rachael (Sean Young), o que está em jogo neste filme é algo muito maior, embora Villeneuve mantenha a narrativa deveras intimista, sempre focada no introspectivo K, presente em quase todas as cenas do filme.

Apesar do destaque dado em peças publicitárias a Jared Leto e Harrison Ford, a participação dos dois aqui é deveras pontual, apesar de bastante efetiva. Assim como o Tyrell de Joe Turkel em 1982, o Wallace de Leto considera-se um criador, dotado de uma aura quase divina. Nisso, diversos panteões são referenciados através do personagem.

Divisora de águas no gênero, não só no cinema como também em outras mídias, a estética idealizada por Ridley Scott (aqui, atuando como produtor executivo), é elevada a outro patamar e o que logo chama a atenção é a ambientação. Além de uma Los Angeles ainda mais vertical e repleta de vielas iluminadas apenas por anúncios publicitários gigantescos, Blade Runner 2049 apresenta locais devastados, trazendo um contexto pós-guerra pouco explorado no filme de 1982 e mais próximo do futuro descrito por Philip K. Dick.

Outro elemento marcante no primeiro filme, a música de Vangelis também ganha referências — inicialmente, de maneira discreta, conforme os temas compostos por Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch buscam reproduzir a atmosfera da trilha sonora original.

Por final, em uma época em que Hollywood se encontra em um cenário de produtoras e diretores que poucos arriscam e seguem investindo em sequências e reboots desnecessários, muitas vezes de qualidade duvidosa e muitas vezes deixando a desejar, um dos feitos épicos de Blade Runner 2049 é mostrar que revisitar uma obra antiga não é necessariamente algo ruim, porém, basta encontrar um diretor talentoso que ame e compreenda o material original. E Denis Villeneuve fez isso com dedicação, respeito e total EXCELÊNCIA.

Este artigo não possui comentários