CRÍTICA – Kingsman 2 | Cenas de ação MUITO bem elaboradas marcam o longa

Kingsman 2: O Círculo Dourado, tenta repetir o sucesso do primeiro filme, inclusive repetindo exatamente a mesma receita que já conhecemos, o que em muitos casos, acaba se tornando um erro e aqui, infelizmente, não foi diferente.

Tudo que era charmoso, épico e único em Kingsman: Serviço Secreto (2014) acaba se repetindo e virando nada mais do que uma ‘fórmula de sucesso’ neste segundo filme. A decadência dos eventos, o estilo de vilão com uma boa intenção (porém ancorada em um plano genocida), a perda de companheiros, tudo acaba sendo um repeteco do primeiro longa. Não existe aquela mesma vontade de surpreender e ousar, e até os momentos mais divertidos são deixados em segundo plano.

As piadas sobre as diferenças culturais dos dois países surgem no começo do longa para definir essas relações, mas rapidamente o filme parte para aleatoriedades, principalmente nas viradas pouco emocionantes que o roteiro toma, escritas a toque de caixa, como o entra-e-sai de personagens e suas motivações nem um pouco convincentes.

O diretor Matthew Vaughn (mesmo do primeiro filme) parece ter esquecido totalmente da máxima “menos é mais”. O diretor impede que tenhamos a noção completa de espaço, realizando cortes demais, com um trabalho de montagem que não sabe muito bem quando alternar o foco entre personagens, muitas vezes funcionando de forma burocrática, proporcionando constantes quebras no ritmo.

O que não salva, mas minimiza um pouco os defeitos da obra, é a relação entre Eggsy, Merlin e Harry (Colin Firth), cujo retorno deveria ter sido mantido como segredo pelo material promocional, sejam trailers ou pôsteres.

As cenas de ação têm sequências muito bem executadas que justificam o uso do 3D, além de closes e ângulos inusitados que colocam o espectador praticamente dentro das lutas. Porém, entre um combate e outro, o longa tenta dar tons de drama que destoam do resto do roteiro e soam forçados. Ao longo da trama, personagens que são relativamente importantes no primeiro filme são descartados de maneira súbita.

Alguns dos grandes nomes do elenco têm participações frustrantes e muito curtas: Channing Tatum (Tequila) e Halle Berry (Ginger), por exemplo, mal aparecem. Enquanto isso, o cantor Elton John, que inicialmente parecia que faria apenas um cameo, ganha mais destaque que os atores.

Kingsman: O Círculo Dourado, portanto, diverte-nos ocasionalmente, mas, em sua maioria, nos faz levantar a sobrancelha em suspeita e decepção, seja pelos absurdos desnecessários presentes na trama, como o polêmico rastreador que precisa ser inserido na vagina de uma personagem, seja pelas sequências de ação pouco inspiradas e nem um pouco empolgantes. Assim, o que começou como um alento engraçado no meio de blockbusters sisudos rapidamente se transforma no produto hollywoodiano típico, serializado e marrento.

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