CRÍTICA – Mulher-Maravilha | “O melhor filme da DC nos últimos tempos”

Depois do Universo Expandido DC ter começado com o duvidoso “Batman vs. Superman – A Origem da Justiça” e o conturbado “Esquadrão Suicida” no ano passado, a Warner Bros. ainda sofreu com os fracos desempenhos financeiros de seus filmes independentes neste começo de ano, deixando Mulher-Maravilha sobrecarregado e com um peso ainda maior nas costas. E claro, muitas dúvidas surgiram: Será mais um fiasco da DC? Pode ser o pior filme de super-herói do ano? Vai faturar abaixo do esperado pela produtora? Bom, por enquanto, só não temos resposta para a última pergunta, porque para as outras duas, nós já temos!

Mulher-Maravilha, o primeiro filme-solo de uma super-heroína nos cinemas, chega pra quebrar qualquer preconceito e abalar as estruturas da concorrente. A diretora Patty Jenkins entregou um filme que é a segunda melhor adaptação para o cinema de um herói da DC, perdendo apenas para o incrível “Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)”Jenkins entrega um filme divertido e cheio de charme, características que certamente o separam das recentes versões para o cinema por parte da DC. Mesmo o longa lidando com temas como machismo e racismo, ela o faz de uma maneira lúdica e sensível, sem jamais tornar o filme tolo.

Gal Gadot continua a mostrar que era realmente o melhor nome para o papel. Depois de protagonizar aquele que é um dos melhores momentos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça”, a atriz consegue trazer a mesma essência e empolgação para as lutas em seu filme próprio. Ao lado de Gadot, está o ator Chris Pine: ele tem uma boa química com a princesa de Temiscira e serve como um contraponto para o idealismo da protagonista. Os dois funcionam MUITO BEM na medida em que a trama vai se desenrolando.

Mostrar rapidamente a infância da personagem, com ela se espelhando nas fortes mulheres de sua família para se tornar a mulher que está destinada a ser, foi um toque genial da diretora, que humaniza a heroína e a coloca, nesses momentos, em pé de igualdade com as jovens espectadoras de hoje em dia. Em vários momentos, é claro, visualizar possíveis caminhos que poderiam ter levado o filme para o buraco fundo, mas o roteiro consegue explicar de maneira bem-humorada que esse não é bem o caso, fugindo de clichés que acontecem atualmente em filmes do gênero.

Assim como em “Capitão América – O Primeiro Vingador”, a heroína conta com um grupo multi-étnico de irmãos de guerra em seu batalhão, embora aqui exista, pelo menos, um esforço para dar-lhes alguma profundidade na trama e razão para estarem ali em cena.

O ponto mais fraco da trama são os vilões. Enquanto é possível ver o desenvolvimento emocional de Diana Prince e de Steve Trevor, o mesmo não pode ser dito sobre os antagonistas da trama. Eles são rasos, superficiais e infelizmente, podem se tornar esquecíveis com o tempo. A revelação de Ares ocorre um pouco tardia no ponto de vista geral do longa, e QUASE não surpreende no clímax, embora o visual do deus da guerra seja incrível, em uma ótima adaptação do design do longa. Mas, levando em conta que o filme é focado para a construção de uma grande heroína e que ele faz isso de maneira excepcional, isso passa a ser parte de um pequeno detalhe que não compromete a história central e inicial.

Para finalizar, Mulher-Maravilha é sim, O MELHOR filme da DC nos últimos tempos. E com certeza, vai orgulhar qualquer fã do universo de quadrinhos da DC, mesmo os mais velhinhos até os recém-chegados. E verdadeiramente, as duas horas e vinte minutos de longa, valem muito a pena.

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